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Inflação em agosto registra 0,19% e fica abaixo do esperado

Analistas previam uma alta entre 0,22% e 0,47% no mês; taxa acumulada pela inflação no ano foi de 1,62%, menor acumulado para um mês de agosto desde 1994, segundo o IBGE

RIO – A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,19%, ante um avanço de 0,24% em julho, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para os meses de agosto, esta foi a menor variação desde 2010 (0,04%).

O resultado ficou abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta entre 0,22% e 0,47%, com mediana positiva de 0,32%.

A taxa acumulada pela inflação no ano foi de 1,62%, bem abaixo dos 5,42% registrados em agosto de 2016. Este foi o menor acumulado no ano para um mês de agosto desde a implantação do Plano Real (1994). O acumulado dos últimos doze meses desacelerou para 2,46%, resultado inferior aos 2,71% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Esta foi a menor variação acumulada em 12 meses desde fevereiro de 1999 (2,24%). Em agosto de 2016, o índice havia registrado variação de 0,44%.

  Fonte: IBGE

Preços dos alimentos. As famílias brasileiras voltaram a gastar menos com alimentação em agosto, pelo quarto mês consecutivo. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma queda de 0,47% em agosto para um recuo de 1,07% no último mês.

“Nesse ano, alimentação tem ajudado bastante a arrefecer a inflação”, declarou Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Segundo o IBGE, as reduções de preços ainda são resultado da safra recorde de grãos esperada para este ano no País. O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, deu uma contribuição de -0,27 ponto porcentual para o IPCA de 0,19% de agosto. O recuo foi suficiente para anular o aumento de 1,53% nas despesas com transportes, que resultou em pressão positiva de 0,27 ponto porcentual na inflação do mês.

 “Não fosse o aumento em transportes o IPCA poderia ter ficado menor”, ressaltou Gonçalves.

Os alimentos para consumo em casa ficaram 1,84% mais baratos. Os destaques foram feijão carioca (-14,86%), tomate (-13,85%), açúcar cristal (-5,90%), leite longa vida (-4,26%), frutas (-2,57%) e carnes (-1,75%).

Já a alimentação consumida fora de casa subiu 0,35% em agosto. Com exceção das regiões metropolitanas de Belém (-0,79%) e de Curitiba (-0,54%), as demais tiveram variações positivas, que foram desde um aumento de 0,03% em Belo Horizonte a um avanço de 2,49% em Salvador.

Energia. A energia elétrica ficou 1,97% mais cara em agosto, o que levou o item a um impacto de 0,07 ponto porcentual sobre a inflação de 0,19% registrada pelo IPCA no mês.

“A energia elétrica subiu menos do que no mês passado (alta de 6% em julho) porque, apesar da cobrança da bandeira vermelha, algumas regiões tiveram redução de PIS/Cofins”, justificou o gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves.

Com o aumento da conta de luz, o grupo Habitação subiu 0,57% em agosto. Houve pressão também da taxa de água e esgoto, que ficou 1,78% mais cara, o equivalente a 0,03 ponto porcentual de contribuição para o IPCA.

Em agosto, a energia elétrica aumentou na maioria das regiões pesquisadas, movimento puxado pela bandeira tarifária vermelha, desde o dia 1º daquele mês, representando uma cobrança adicional de R$ 0,03 por Kwh consumido.

Além disso, houve reajustes em Belém e Vitória, mas recuos em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza e Goiânia, graças às reduções nas alíquotas do PIS/Cofins. Ainda em habitação, a taxa de água e esgoto teve o resultado influenciado pelas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória.

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